Diz-me se tiveres coragem

Diz-me, se tiveres coragem, diz-me o tanto me amas, dizes?

Diz-me como se eu não soubesse, como se estivesses a contar esta história a alguém que não me conhece, como se eu nunca fosse saber.
Diz-me como se estivesse a morrer, não tu, eu, como se fosse a última coisa que eu ouviria nesta encarnação.
Diz-me como a tua pele se arrepia quando te falo ao ouvido, diz-me o tamanho do teu medo de que eu saia porta fora.
Diz-me isto num abraço apertado e de olhos fixos nos meus, talvez eu sinta ser verdade e não tenha capacidade de dizer que me mentes.
Diz-me o quanto sabes que preciso de ti e quanto tu não me queres deixar.
Diz-me que este amor nunca estagna, nunca minga, que só faz aumentar.
Diz-me que mais que os anos passem irás contar a nossa história como se ainda não fosses acreditar nela.
Diz-me isto tudo com vaidade de quem sabe que muitos passam a vida a tentar encontrar algo assim, que isso te encha de vaidade porém que te permaneça a realidade de que tudo pode ter um fiz.
Diz-me que nunca irás ousar por tudo a perder.
Diz-me baixinho, por cima do meu ouvido, nesse abraço apertado.
Diz-me alguma coisa que queiras, sei lá eu o que se pode dizer nestes casos, diz-me o que achares preciso para que eu nunca duvide e de bicos de pés firmes me erga de olhos brilhantes, te beije uma e outra vez sem pensar em nada para além do que me estavas a dizer.

E depois?

Depois não me digas mais nada porque eu já antes guardava a chaves voltadas tudo o que nunca me dizes porque não achas preciso teres de me dizer.

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Carpida á vontade que logo eu vejo