Do que é que precisamos afinal?

Assim mesmo mesmo, o básico e primordial de nós, o que é que esse "eu" precisa?
A tendência é vir a querer mais e mais, pessoalmente, esse "eu" que vive em sociedade, acaba por conseguir influenciar os outros e estes mais vão querer e quanto a isto nada a dizer. É justo e devido querermos o melhor para nós próprios e para os que amamos mas, a questão é, quando é que o ""ter" passou a ser mais importante que o "haver", que o "sentir" e que o "necessitar"?
Onde é que perdemos o travão?
Onde é que o nosso "quero mais" deixou de ligar ao "há quem não tenha nem metade"?
Vejo isto nas pequenas compras e escolhas, no supermercado, na decoração da casa, nas roupas que uso, vejo também que isto é uma coisa normal, todos nos seguimos pelas mesmas regras mas fazemos uma coisa horrorosa e vil, menosprezamos as pessoas que não tem o mesmo que nós, os que visivelmente têm menos que nós sem querermos sequer perceber se é uma opção ou uma falta dela.
julgamos, julgamos de mais pela aparência, e isto não é bom, causa desanimo e frustração. Há pessoas que simplesmente escolhem não seguir este ritmo e assim ao longe, parecem-me tão mais felizes!
Será que não iríamos viver bem melhor connosco se ao invés de almoçar todos os dias fora, um dia por semana levássemos uma marmita e déssemos uma refeição a alguém?
Não seriamos bem mais felizes se em vez de gastarmos rios de dinheiro em roupa, sapatos e nhónhós gastássemos em viagem, fossemos para fora conhecer novas culturas e levar alguma coisa a quem tem menos que nós?
Não seria muito mais fixe um piquenique numa mata na primavera do que um super parque de diversões onde metemos os miúdos e não podemos interagir com eles?
Não preferiam eles um abraço, um beijo e meia hora com uns lápis de cor, ali mesmo no chão da sala ao invés de uma ida ao cinema ou daquela consola XPTO?
Às vezes dou comigo a pensar, no alto do meu "eu" consumista, preciso mesmo disto?
Em que é que isto vai realmente fazer-me mais feliz?
Sinceramente, na maioria das vezes a resposta é não, mas na maioria das vezes a coisa, o querer ter supera a necessidade.
O ego também como com os olhos, não é só a barriga.


1 comentário:

  1. Uma coisa não invalida a outra. Eu sou materialista. Ainda ontem fiz um post sobre achar que sou uma acumuladora.. mas a verdade é que tb adoro dar e praticar boas acções. Mas às vezes, sermos boas tb "nos morde no rabo" e tira-nos a vontade. Por exemplo, uma altura dei uma data de roupa boa e praticamente nova a uma amiga, e depois quando fui lá a casa havia t-shirts a servirem de panos de cozinha...talvez isso agora me faça ter pena de dar roupa que sei que nunca mais vou usar, mas que adorava e não quero ver como lixo. Quanto ao resto, eu faço parte do grupo que tem certas comodidades (tv por fibra, carro, moro num T4) mas todos os meus tostões são contados. Não há cá idas ao cinema, teatro, praia.. ultimamente nem à porra do parque com os miudos pk o carro só tem 2 lugares e nós somos 4... portanto não há cá desperdícios. Tudo é comprado com cabeça e sendo essencial.. tudo o que oferecem é bonus, todos os passatempos que ganho são para mim "dias de natal". aos miudos não deixo faltar nada - essencial- mas tb têm mt tralha que veio em 2ª mão. Invento jogos e tento divertir-me com eles ao maximo... e sim.. sou feliz, mesmo quando tenho aqueles dias em que se quiser sair e comprar um pão, não há dinheiro para o fazer!

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Carpida á vontade que logo eu vejo