O que me inquieta


É que não sei até que ponto consegues ver o mundo, o nosso mundo e o dos outros, pelos teus olhos mas com a séria consciência com que nós o fazemos. Inquieta-me que não vás conseguir aceitar as diferenças dos outros, as particularidades de cada um como se fossem as tuas, que não te saibas condoer com os sentimentos dos outros e os seus dilemas.
Tenho confiança em ti sabes?
Confio que estamos a fazer bem essa parte, que te ensinamos a partilhar, que te oferecemos a confrontação necessário com as outras realidades de forma a que as questiones. Confio que te transmitimos que a tristeza se pode curar com um abraço apertado, se preciso muito apertado, que o dinheiro não é tudo, que as boas experiências advém do que nos rodeia, do que nos une. Confio que percebes que a cor, as escolhas, as opções de vida de cada pessoa as faz apenas pessoas e ninguém é igual a ninguém.
Sei no entanto que estas crenças não são bem vistas por meio mundo e que o outro meio não quer saber, espero que os nossos valores nunca que te levem para problemas.
Caramba miúda, as dúvidas que me crias!
Mas sabes, creio que isto não pode estar errado, creio que te escolhemos o melhor do mundo, que te apresentamos todos os  ângulos deste planeta que por alguma razão é redondo, não quadrado como a mente de muitos. Creio que o percebes. Creio porque não tens qualquer reação estranha quando vês dois homens aos beijos, porque sabes que tens de pedir desculpa, mesmo que te custe, quando fazes "dóidói no coração" dos outros, porque não te importa se os teus amigos são pretos, com pintas, ou de formas diferentes, são amigos e isso é que importa, porque sabes que as meninas podem vestir calças mesmo que tenham pouco cabelo e pareçam meninos, porque dás a moeda que tens no bolso se vires alguém sentado no chão a pedir. Porque partilhas as tuas coisas, quer seja comida ou brinquedos.
Por isto tudo e muito mais acredito em ti, nesse teu feitio nada manso mas super meigo, creio em ti.
Que estes meus suspeitos olhos te vejam crescer para ser a mulher que eu às vezes não sei ser, que cresças e que no processo mudes tantas mentes quanto possível porque está luta é difícil, é responsável mas isolada. Que saibas que as opiniões dos outros não fazem de ti aquilo que eles julgam que és e que isso não te faça desistir do teu propósito
Que nós não sejamos os únicos país destes, que creem nestas telas em branco que chamamos de filhos porque a verdade é que a forma como os educamos fará a diferença no mundo em que vivemos.

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Carpida á vontade que logo eu vejo