Fiz-te melhor

Fi-lo num arco perfeito fechado para o mundo, numa bolha só minha onde entrava num roça roça quente, perfeito e sem mácula.
Fi-lo como se mandasse nele, na sua vontade e no seu passado.
Fi-lo naquilo que queria, o que desejei e via nos romances dos livros transformados em filme.
Fi-lo e ele deixou que o pusesse no pedestal, qual santo santíssimo, sem qualquer pecado ou necessidade de absolvição.
E foi bom, foi maravilhoso.
Até ao dia em que deixou de ser.
E aí.
Aí foi uma coça de horas perdidas sozinha a pensar nos meus erros.
Foi uma tormenta dedilhada, chorada, minguada e cheia de culpa.
Foi meses completos até me dar conta que o mal estava no tal pedestal, na livre demanda e na cegueira sem fim.
Vai na volta e porque a gaja é torta, não se dá satisfeita e volta a insistir.
Daqui vai a maluquice, o não saber ser só uma e o caramba outra vez.
Pensa e desiste e se é só isto que me assiste, não mais roça, nem tosse e nem me vê sorrir.
Estica a vontade e não mata a saudade e vai de apostar noutra atitude.
Parecia loop, cheio de truques e eu não "quero saber".
O tempo passou e a mágoa acalmou, tudo ficou bem melhor.
Já não queria nem inho, nem um coitadinho nem o grande malvado.
E vieste tu, assim meio cru sem saber o que me fazer.
Intrigou-me o facto de estares disponível sem nunca o dizer.
Deste a volta por fora, colocaste as barreiras e não me deixaste mais sair.
E o resto, o outro, o primeiro defunto esfumou-se de vez.
Aqui fiz-te imperfeito, sem jeito, nem peito para me embater de frente.
Fiz-te mal calculado e tu num acto bem feito muito me fazes pedir.
Se te fizesse eu perfeito nada iria ter jeito.
E assim se conquista com o pouco que te espero sem nunca te querer ver partir.
Fizeste-me assim, sem dares por conta, sem fugir de mim.
E eu que não queria, eu que te omitia me apaixonei por ti.

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Carpida á vontade que logo eu vejo