Quando te peguei pela primeira vez o mundo fez sentido


Não quando te vi, quando te puseram sobre o meu peito em chama de um amor seguro e cheio de medos, não, quando te peguei à séria, de pé, eu e tu, sozinhas num quarto cheio aí sim o mundo fez sentido. Fizeram sentido todas as bofetadas que a vida amorosa me deu, que me fizeram percorrer um caminho solitário em modo senhora de mim mesma até encontrar o teu pai, que nunca me tinha sequer pedido em namoro e me raptou o útero para te gerar. Fizeram sentido todo o despego do que é suposto ser certo e feito. Fez sentido o meu até aí desconhecido lado maternal.
No momento em que te peguei, de pés no chão bem assentes, nesse momento o meu mundo transformou-se e o teu que só à umas horas havia começado fez todo o sentido no meu.
Se soubesse o que sei hoje tinha valorizado mais a minha gravidez mas nessa altura, sem te ver, sem te sentir o peso na minha vida, não sabia, fica o remorso de algumas coisas e a alegria extrema de tudo ter corrido bem, por estares bem, por seres perfeita apesar de nós nunca sequer termos pensado no que seria isso para nós, conseguiste acertar.
Nessa madrugada fui contigo, entre os teus mius e aconchego, o ser mais feliz que existiu em todos os sítios onde alguma vez existiram seres felizes. Fui eu que te fiz no meu forno, bolas, eu tenho um forno impecável. Tão pequenina, de dedos compridíssimos, cabelo à rato, lábios delineados e olhos grandes prontos para ver o mundo. Com a cara vermelha marcada, o cheiro doce, a cabeça bicuda e o nariz achatado foste como sempre serás a bebé mais magnífica de sempre, o joelho mais fofo de todos. E foste minha, chamei-te pelo nome, disse-te que era tua mãe, como se não soubesses, como eu não sabia. Não sabia nada, talvez nada saiba ainda. Posso não saber o que sou, o que ser ou de que forma, para onde mas ali, naquela noite, de pés frios no chão, cheia de medos e ternura soube para mim mesma aquilo que não desconfiava, nunca desconfiei. Soube como sei cada dia melhor, soube que a unica certeza da minha vida é que sou mãe, sou tua mãe e isso enche-me de orgulho.


2 comentários:

Carpida á vontade que logo eu vejo