Era uma vez...O monstro das barrigas.

Era uma vez o monstro das barrigas.
Este monstro apesar de ser filho único tinha muitos primos.
Viviam todos separados uns dos outros e nunca se juntavam.
Este monstro das barrigas, como todos os outros monstros das barrigas, não tinha nome e vivia sozinho na barriga da sua pequenina cria.
Como vivia sozinho volta e meia ficava muito rabugento e começava a espernear, berrar e atirava com tudo quanto existia na sua toca contra as paredes.
Era uma tristeza, a dele e a da sua pequena cria que apesar de nunca ter pedido a ninguém um monstro das barrigas tinha nascido com um assim como todas as outras crias do mundo.
Um dia, num desses dias tristes, estava o monstro das barrigas em pânico quando começou a sentir um dos lados da sua casa mais quentinho. Foi-se chegando e chegando sempre a espernear. Reparou que estava cada vez mais quentinho e que se ouvia ao longe alguma coisa, alguém!
Este monstro das barrigas nem queria crer no que lhe estava a acontecer, estava um outro monstro do outro lado do comunicador. O comunicador é um buraco tapado bem no meio da sua casa. Todas as casas dos monstros das barrigas têm um mas nunca tinha ouvido falar de nenhum primo que o tivesse usado. Sabia que antigamente, à muito, muito tempo atrás, era normal os monstros terem pelo menos um amigo com quem falar mas nem os pais, nem os avós tiveram amigos. Era uma tristeza!
Quando chegou ao comunicador começou a ouvir mais nitidamente.
-Está aí alguém?
Perguntou este monstro e esperou.
-Olá!
O monstro rejubilou ainda a espernear. Na verdade esperneava porque era das poucas coisas que sabia fazer para grande tormenta da sua pequena cria.
-Quem está aí?
-É o Alex, e tu como te chamas?
-Eu sou o monstro das barrigas.
-Sim eu sei, mas como é o teu nome?
Este monstro das barrigas pensou e chegou á conclusão que não sabia, na verdade não se lembrava!
Pensou e pensou.
Estava quentinho.
Começou a ficar com sono.
O quentinho é uma coisa terrível para os monstros, eles ficam moles e meigos, deixam de espernear e gritar. Não tardou para que o monstro adormecesse deixando a sua pequena cria em paz.
No dia seguinte já andava o monstro ás voltas à algum tempo quando voltou a sentir o tal quentinho e desta vez não hesitou, foi direito ao comunicador.
-Alex, Alex estás aí?
- Sim.
-Alex como é que sabes o teu nome?
-Tu também sabes!
-Sei?
-Sabes só que no dia em que a tua pequena cria nasceu esqueces-te porque tinhas que ser um monstro.
-Sério? então e a tua pequena cria não precisou de um monstro?
-Precisou claro, os monstros só são monstros porque as crias não sabem que podem ser os dois amigos. Elas não nos conhecem sabes.
-Mas como é que sabes o teu nome?
-Porque a minha cria me disse quando era pequena.
-Quando era pequena?
-Sim, a minha cria é mãe da tua. Se ao invés de gritares tão alto ouvires vais ver que percebes logo qual é o teu nome.
Este monstro queria conversar mais mas o quentinho não o deixou, esqueceu o espernear e adormeceu novamente.
No dia seguinte quando ia começar a gritar lembrou-se do que o Alex lhe tinha contado e decidiu esperar. Esperou e voltou a esperar e foi então que resolveu sentar-se junto do comunicador. O Alex não estava lá porque a casa estava fria. Triste, sozinho começou a chorar.
-Porque choras?
O monstro ficou surpreendido.
-Porque sou um monstro sozinho e ninguém gosta de mim. Só faço o meu trabalho, alguém têm que fazer isto andar e a minha cria não me percebe, nunca me agradeceu sabes, vivo muito triste.
-Não a leves a mal, ela ainda é pequenina e não sabe como é que funciona. Mas tu podes ajudar, basta que não sejas tão rabugento e não esperneies nem grites assim tão alto, ela fica sentida. Devias ser mais meigo com ela. experimenta ouvir a tua cria. Olha porque não lhe cantas uma canção?
-Eu não sei cantar. Eu nem sequer sei o meu nome.
-Experimenta.
Este monstro ficou a pensar no assunto e adormeceu.
No dia seguinte á mesma hora, resolveu arriscar e começou a cantar. Primeiro cantou baixinho, como ninguém respondeu cantou mais alto e quando estava quase a começar a gritar novamente ouviu alguém através do comunicador. Alguém estava a cantar do outro lado. Alguém se estava a rir do outro lado. O monstro pensou em como era bom ouvir aquele riso. Sentiu um quentinho bom mas desta vez não era o Alex na sua toca, desta vez o calor vinha dele mesmo. O nosso monstro cantou e voltou a cantar. Ouviu e voltou a ouvir todos os dias, por muitos dias. Mas continuava triste porque não sabia o seu nome, não se lembrava e a sua cria não lhe dizia.
Ao fim de muito tempo já nem sabia que era um monstro. E foi num desses muitos dias, muitos dias depois que resolveu ir até ao comunicador e simplesmente perguntar. Do outro lado, sem hesitação veio a resposta. 
-.Carlota.
O monstro das barrigas rejulibou, era isso mesmo!
-Quem és  tu?
Perguntou o nosso monstro que agora já sabia o seu nome.
- Eu sou o Amor
O nosso monstro estava surpreendido, já tinha ouvido falar no sr. Amor mas não sabia que ele aparecia aos monstros das barrigas.
-Mas tu és nosso amigo?
-Sim, sabes, todas as crias nascem com um monstro das barrigas e todos esses monstro não são monstros de verdade, são só incompreendidos. Mas todo o espernear e gritar pode ser resolvido com uma coisa e essa coisa sou eu. Todos os monstros se curam com amor. Eu sou o remédio dos monstros.
-E como é que sabes o nosso nome?
-É fácil, é o nome da vossa cria, se fores ao comunicador vais ver que é o nome que ouves mais de todos os que ouves.
-Mas porquê o mesmo?
-Porque vocês são o mesmo, só que não sabiam.


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Apreciação aos pais

Tratamos portanto das cólicas sendo que:
  • O Monstro das Barrigas são as cólicas
  • O comunicados o Umbigo
  • O sr. Amor é mesmo o amor e a paciências dos pais ou o infancalm, infancol e sabe-se lá mais o quê.
  • O nome destes monstros variam conforme quem conta a história e assim sendo, façam o favor de voltar ao inicio e dar o nome certo ao vosso monstro.

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