Do fim da gravidez ao principio do maxismo declaradóescondido.

E tudo começou pela falta de muda-fraldas que o senhor da Mila reclama que não existe na casa de banho dos homens.
E é tão isto, tão as mães sabem, fazem, têm de fazer, de estar 100% disponíveis, sempre, a toda a hora, a cima de toda a gente e ai de nós, mães, de um dia ao acordar nos dê na cabeça de nos lembrarmos que um dia, lá na infinita distância do que foi uma vida sem filhos, éramos pessoas, apenas isto, pessoas, pessoas livres de tudo e todos.
Começa pela falta de muda-fraldas na casa de banho dos homens como se lá por sermos mães e não pais tenhamos a obrigação de sermos nós, aliás, apenas nós, a trocar as fraldas sujas, como se eles homens perfeitamente capazes tivessem algum problema físico geral que os impedisse de trocar uma ou 20 fraldas. Não vamos pôr muda fraldas naquele sitio porque já existe no outro e os pais nem saem sozinhos de casa com os filhos.
Ou estes ao verem que é apenas o pai que os passeia decidem que podem perfeitamente bem não cagar durante 7 horas.
Ou existe uma linha rápida com direito a ala da direita para os pais ligarem com urgência e as mães largarem tudo o que estejam a fazer e sair em busca da casa de banho mais próxima para trocar a fraldas ás criaturas mal cheirosas. Sim, porque lá no trabalho das mães os chefes são todos super porreiros e até dizem a uma pessoa para sair mais cedo porque era bom ir ao parque com os putos, fazer as compras antes de os ir buscar ao infantário, ir ao cabeleireiro fazer as unhas, não faltar ao recital ou reunião das pestes ou quem sabe, vá, levar a cria ao pediatra porque está doente. Sim porque se a cria estiver doente ligam ao pai, só ao pai e sempre em primeiro ao pai, não é?!.
Só que não, ligam á mãe, porque esta mesmo que não tenha o tal chefe compreensivo têm o dever único, adquirido por parto, de ser o pilar do ser que gerou como se tivesse empranhado por roçar com os cotovelos na parede de chapisco que dividia o que era a vida antes de ser mãe e a noite de sexo que resolveu ter com o outro progenitor.
E este que, claro está, não vive sozinho neste mundo, achega-se ao facto de lhe facilitarem a vida e lá se deixa andar por entre os "a mãe vai-te já buscar", os "o meus chefe também não me deixa sair agora" e os "vai lá tu que a nossa casa de banho não têm muda-fraldas". Ora, eu que até nem tenho grande coisa de que me queixar (nenhuma aliás), talvez por a minha veia agora meio adormecida do "não me deixar ficar" ou talvez por ele ser mesmo muito bom rapaz, não consigo deixar de me ver entre estes dois mundos. Um onde ainda agora pus os pés e o outro de onde não os quero tirar. A conclusão que já consegui tirar é que a culpa é no fundo de toda esta sociedade que nos educa e nos leva sem sequer pensar naquilo que está a fazer, nesta sociedade onde o meu trabalho vale menos que o dele, onde o facto de eu não querer deixar de ir uma vez por semana ao cabeleireiro, porque posso e porque quero, nem que isso me faça ir buscar a cria uma hora mais tarde, me faça fazer sentir mal. Esta sociedade que por um acaso é a mesma que defende sem juízo de causa o pai que chega tarde a casa porque esteve em reunião ou até o que leva a reunião para casa. É também a mesma que não liga ao pai para ir á tal reunião da escola, e denote-se o facto de este pai adorar reuniões, porque a mãe é que é boa para ouvir recados, e castigar o puto e no fundo ser a má da fita. Esta sociedade onde é absolutamente normal não existir um raio de um muda-fraldas nas casa de banhos dos homens. É também esta sociedade onde nós mulheres e mães nem para nós mesmo conseguimos ser amigas, porque se uma mãe diz que não quer o filho a dormir no seu quarto não sabe no que se está a meter, porque se não perdemos ao fim de 1 mês os 10 kg que ganhámos em 9 meses é porque comemos muito ou não usámos a cinta, mas se usamos a cinta é porque afinal se está a disfarçar e continuamos com aquela barriga de 4 meses que ainda não dá para ter a certeza se é uma criança ou muita pizza junta.
Somos más umas para as outras e no fundo quem sai a ganhar são eles, porque nós, mulheres e mães não vamos, porque não vamos, deixar de nos dividir em 1000 para conseguir ir trabalhar, fazer as compras, passear os putos e o cão, fazer o jantar, tratar da roupa e da casa, do homem, tudo de saltos altos e na melhor farpela e claro com um belo sorriso na cara nem que estejamos com 48 de febre e na eminencia de bater a cachóla, porque se por acaso uma destas coisas não ficar feita, somos menos que a vizinha do lado que faz isso tudo com 3 filhos, ainda vai ao ginásio, ajuda uma nobre associação sem fins lucrativos e consegue pôr o dia todo num blogue da moda, tudo isto sem uma empregada.
No fundo, dá a volta e volto ao mesmo, o principal problema é que somos más umas para as outras, somos más quando somos e quando deixamos ser, quando em vez de dizer pedimos para ser ele a ir buscar a cria ao judo, quando achamos que não podemos ter uma empregada para passar a roupa quando se calhar até podemos, quando não admitimos que nos faz falta o tal fim de semana a dois, quando não perdemos uma hora que seja connosco uma vez por semana porque eles, todos e qualquer um menos nós precisam de nós mesmas.
E somos más quando permitimos que uma sociedade, esta mesma que é maioritariamente nossa, esta que depende do nosso entre pernas para poder existir, não inclua um muda-fraldas na casa de banho dos homens porque a merda no fundo é sempre para nós, mães e mulheres deste pais daclaradóescondidamente maxista.

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Carpida á vontade que logo eu vejo