O que me dói na alma

Não se me colhe no peito.
Vira chama, arde bem quente de raiva e cai no abismo de dor, em cinza.
O que me dói na alma agora por saber de estranhas palavras, essas que me foram escritas sem eu saber, sem as merecer, essas palavras que me incendeiam aqui e agora, essas que sei que me vão amargar a vida, preferia não saber delas, meu tudo, como preferia não as saber.
E isto, que me marca o coração como ferro em brasa, isto que sei que não mereço, isto dói-me na alma, não sei se passa como tudo o resto que já passou. Não me é a primeira dor de alma, só tu já me destes outras tantas, umas que já esqueci, outras que não lembro bem. Não é a primeira mas está dói mais que as outras porque possivelmente é a mais injusta. Parece que te habituei a seres sempre o primeiro, o mais importante, o importante, apesar do meu mau feitio e peito feito ou força para te agarrar e como eu te tenho vindo a agarrar durante todo este tempo, como me dói na alma saber que não o valorizas ao ponto de me estender a mão. Ai, como me dói a alma viver sem seguro, viver em auto segurança, pedir e não receber, mesmo assim dar e ser esquecida, mal apoiada, esquecida no baú das coisas velhas que já sabes que tens. Não sou adivinha, não vejo o que tu vez, não percebo os teus infundados queixumes mudos. Não aceito propostas do teu lado mal feitor, não o merecia. Dói saber porque ficas, saber que não é por mim. Dói saber o que levas os outros a pensar, o mau pensar. Dói saber do mal querer. Julguei-me cansada mas completa. Cansada por tentar amenizar o cansaço dos outros, as tristezas dos outros. Completa, julguei-me Feliz. Julguei-te Feliz.  E dói-me a alma, esta que pisas como se não fosse mais que cinza velha daquela alma ardida.

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Carpida á vontade que logo eu vejo