A selva vista ao de longe

Tenho saudades da selva.
É isto.
Umas saudades tão grandes que roçam o arrependimento de ter voltado as origens.
A menina pode não ser mais moça mas com certeza é a mulher da minha vida e eu sinto-lhe a falta como nunca senti da minha terra mãe. Desejo-lhe a luz, aquela envolvência das tardes de verão, o cheiro poluído, os sons vindos de todo o lado como gritos surdos que só se dá a conta quando nos bate o silêncio. E os lugares, as muitas opções de escolha, os que conheço e os que nunca cheguei a ir por julgar que iriam sempre estar a 5 minutos de viagem.
Ah caramba como me apetecia um brunch à maneira, um hambúrguer no lx, uma sangria ao fim de tarde no museu da electricidade, um scone no chaaí empíre, um travesseiro de Sintra, um esticar de pernas em Belém num domingo à tarde, um escalar colina entre o Camões e o príncipe real, o pôr do sol no Adamastor, as corridas de Pipas Maria na praia de Caxias, as tardes de primavera em monsanto, a vista ao Tejo das minhas janelas, é a vista ao Tejo das minhas janelas, é o que deixa mais saudades...e as pessoas, a família do coração, fofinhos, pestes e animaizinhos, sinto-vos a falta. E dói--me a alma por estar longe, quebra-se o coração de tanto vos queres nesta eterna solidão que é trazer-vos tão junto ao peito e tão longe da vista. É a nostalgia. Logo eu que sempre disse que nunca iria morar na selva. Logo eu. E como a amo. E como a quero.
...
Meus olhos riem quando se lembram da tua candura, tua simplicidade despida de preconceitos feitos a preceito por essa gente dura.
Minha alma é tua como se não precisasse dela e a pudesse penhorar num espeto de bico juntos as contas que te devo e nunca irei pagar.
E como meu coração se quebra em silêncio pesado no tempo morto que a vida me permite ter para te sentir a falta.
E o fel que me sobe à boca por ter partido como se nada fosse, talvez sem ter a noção do que é sentir te a falta.
Lisboa, cidade que se entranha, te cria, te sacode, te molda e castiga e que no entanto te mostra o que é a saudade e te faz querer sempre voltar.


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Carpida á vontade que logo eu vejo