E depois existe a saudade, pequena cria...

...e esta não é uma saudade qualquer. É a saudade que nos fica para sempre e que acompanha as recordações das pessoas que já cá não estão e que nos são tão queridas. Esta saudade não mata mas corroí e existem alturas que doí tanto como quando se cai de chapa e se esfola o joelho (no mínimo). Não sou uma pessoa lamechas mas têm dias, momentos em que desejo ao máximo poder voltar para trás e levar o que agora tenho. Momentos como este em que te tenho nos braços e dormes pacificamente e penso em como vai ser bom ver-te crescer e em como todos á tua volta te amam tanto. Não consigo deixar de achar que apesar de ainda não saberes os problemas que existem neste mundo, o teu mundo já está cheio de coisas e pessoas que só por fazerem parte da tua vida te vão ajudar e acompanhar sempre. Dentro deste nosso núcleo familiar existe amor. Mas este grupo já está desfalcado. Eu sei que uma pessoa só sente falta e saudades das pessoas que conheceram mas eu mãe não consigo de deixar de ter pena de ti por não teres vindo a tempo de conhecer duas das melhores pessoas que já alguma vez conheci. Faço a questão que as conheças quanto mais não seja por palavras, entre risos e fotografias velhas com cheiro a pó de livro. Falo-te dos teus bisavós, esses que já cá não estão, esses que nos fazem falta, os mesmos que não sabes o som ou cheiro, esses que nunca viste mas que nos deixam os olhos em lágrimas quando pensamos a pena que é não os teres conhecido. A pena que é não existir uma fotos tua no colo deles nem qualquer outra memória verdadeira que possas guardar com carinho como nós o fazemos apesar da tristeza que é não os ter aqui para te pegar quando choras como os que cá estão fazem. Não sou pessoa de penas mas esta pena tenho, é grande, é crua, é feia e bate tão forte quanto o meu coração quando me lembro da falta que me fazem. Resta-me não te deixar passar nesta vida sem saberes quem me ensinou a plantar um feijão, quem me deixava brincar na lama, quem me esperava todos os dias na saída da escola resta-me não deixar que não saibas quem foi a mulher de olhos verdes fundos que apesar de tão grandes tormentas tinha um colo forte, que apesar do riso abafado não deixava de sorrir. Resta passar os valores e contar os feitos, resta rir do mal feito, resta imaginar que este colo onde estás e que eles ajudaram a moldar te acenta tão bem quanto o deles se aqui estivessem para te aconchegar.

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Carpida á vontade que logo eu vejo