Alguém nos devia preparar para o depois do parto

Completamente perdida foi o que foi!
Acho que a única coisa para a qual não estava minimamente preparada foi a estadia na maternidade. Tirando a parte de me sentir perdidamente apaixonada pela cria foram os 3 dias e meio mais horríveis que me lembro.
Começa por ser tudo novo. As pessoas falam e falam mas a verdade é que cada experiência é diferente. No meu quarto estavam mais 2 pessoas e respectivas crias. Uma não chorava guinchava tipo porquinho da Índia a outra tinha ar de branca de neve com um cabelo preto enorme que tirando a primeira noite andou sempre a par com as mamadas da minha cria o que facilitou um pouco a situação. Não é que tenha alguma coisa de que me queixar no que diz respeito à parte clínica, todas as enfermeiras e médicos foram prestáveis e simpáticos mas existe uma questão que deveriam ter em conta, é que nem sempre estão de acordo. Vêm uma e diz uma coisa depois muda o turno e chega outra que diz o oposto e ainda nos dá nas orelhas porque deveríamos ver logo de caras que a informação que a colega deu é uma parvoíce. Uma pessoa fica baralhada. Uma pessoa fica baralhada e piora quando se é mãe de primeira e ainda por cima se está tão exausta que não se consegue fixar grandes informações. Achei que as enfermeiras andavam em guerra com as pessoas que fazem a limpeza, não percebi porquê mas ouvi várias vezes discussões e depois tanto umas quanto outras ficavam de trombas. Apanhei pelo menos uma 3 enfermeiras novas e ainda em formação e eu que nem me importo de ser cobaia nestas coisas já estava a entrar em desespero porque vinha a nova e dizia X e depois a velha vinha e não só a corrigia como lhe dava nas orelhas e ficava logo um ambiente de merda ou porque a nova ficava quase que para chorar ou reclamava e a velha ficava ofendida. Não me ensinaram a dar de mamar, algumas deram umas boas dicas mas não me ensinaram, simplesmente de empurraram a cabeça da pequena contra a mama e quando perderam a paciência espetaram-me com os mamilos de silicone pelos quais tenho uma relação de amor ódio. Vim para casa e a pequena não engordava e na volta chego à conclusão que era porque me tinham dito para lhe dar uma mama em cada mamada e no fundo o que se passava é que ela não ficava satisfeita e andava com fominha. Apanhei umas colegas de quarto simpáticas e prestáveis mas ouvia-se tudo dos quartos ao lado e pelo corredor a fora e as enfermeiras falavam tão alto quer de dia ou de noite que cheguei a ponderar se não estariam a concorrer para alguma bolsa para feirante e coisa que uma mãe não precisa saber é que o bebé do quarto X ia morrendo abafado, que o da mãe W está com um grave problema de respiração e que a mãe que está a dar entrada no quarto de recobro teve uma hemorragia tão grave que ia ficando pelo caminho. Não, ninguém precisava de saber dessas coisas. No fundo não foi mau mas também não foi calmo e tranquilo como imaginava ser. Passei no entanto por uma mudança radical e vivi pequenos momentos que me vão ficar na memória enquanto a memória funcionar. Não me vou esquecer nunca do ar dos meus pais e sogros quando a viram, nem dos poucos amigos que nos visitaram. Não vou esquecer aquele cheiro bom, possivelmente o único bom cheiro de hospital. Nem o momento em que reparei que já lhe reconheci o choro e que ela me conhecia o cheiro e a voz. Ou quando Ele, sentado na beira da cama a olhar para o berço com o mini ser que fizemos juntos me diz de olhos molhados que têm muito orgulho em mim, em nós e que está tão feliz que não sabe o que fazer, "só vos quero levar para casa".





1 comentário:

Carpida á vontade que logo eu vejo