As pequenas coisas da infância que ainda hoje me fazer feliz


Um dia deste vou ter uma cria em braços e com isso penso no que lhe quero transmitir relembrando as coisas boas da minha própria vivência.
Considero que tive uma infância maravilhosa, foi feliz, muito feliz.
Educaram-me a ser criativa, a ser feliz com pouco, a saber ouvir um não, tinha regras mas também me ensinaram que tinha direito a uma explicação e que algumas das regras podiam ser quebradas se soubesse aceitar a responsabilidade do que fazia e diz que sabia.
E sim, tenho noção disto desde miúda assim como tenho a noção do que custa comprar as coisas, do valor que se dá ao trabalho e que no fiz do dia o que conta é a família.
Assusta-me pensar que posso não conseguir fazer o que os meus pais e avós fizeram comigo, tenho medo de errar com a cria, de ser rigorosa de mais, de não saber admitir a sua falta de noção própria da idade, sei lá, no fundo, tenho medo de não estar á altura do que me foi dado como exemplo.
Depois penso, mas porque não?
Só tenho de repetir não é?
Tipo, SÓ!!

Mas depois penso na parte boa e vêm-me á memória a forma como o fizeram por mim e o que me deixaram fazer.
Lembro dos banhos de bacia. Como eram bons. O meu avô enchia a grande bacia cor de laranja (daquelas de lavar cobertores sabem?), de manhã, que era para á tarde quando nós fossemos para lá chapinhar a água estar quentinha, era a forma que ele tinha de nos dar praia no meio do campo e era bom.
Lembro dos bolinhos de lama, ele, meu avô, o sempre fiel comparsa do crime, cavava um buraco na terra, ligeiro, de modo a eu poder ir lá com o meu regador cheio e deitar água. Aí acontecia a magia dos bolinhos de lama decorados com couves, folhas as árvores que ele deixava por ali mesmo á mão como quem não quer a coisa e palha, a palha era bem fixe. Claro que depois vinha a minha avó, coitada, alguém tinha que lavar a roupa depois não era, de preferência sem a minha mãe saber. Ela vinha com aquele ar de má, ralhava com o meu avô que respondia de lado que não tinha visto e me piscava o olho como quem diz, eu não me chibo mas agora safa o rabo. Mas eu cheia de charme (sim é coisa que me assiste deste muito nova) sorria e oferecia-lhe um dos bolinhos que por vezes já estavam secos do sol, não ralhava mais, mandava-me para dentro com um sopro de vento no rabo e eu ria e fugia à frente dela.
Por mais estranho que pareça aos olhos da nossa nova sociedade eu era feliz assim, com nada, tinha bonecas, um monte delas na verdade, tinha TV, cassetes de vídeo, livros, e um sem fim de coisas mas nada, nenhuma delas era melhor que uma bacia cor de laranja e um buraco na terra.
Anseio por conseguir não sei bem como livrar esta cria dos bens materiais, por lhe conseguir mostrar que lá por todos os outros meninos terem aquela nova maquineta barulhenta não quer dizer que seja só nisso que está a felicidade. Os tempos são outros, eles parecem que já nascem com entrada USB, vai ser difícil mas eu sou persistente só espero que a cria não seja tanto quanto eu.

1 comentário:

  1. Oh, que bonito texto. Um dia quando adotar uma cria também espero conseguir transmitir-lhe os mesmos valores que me foram transmitidos, e sabes que acho que somos capazes disso quase inconscientemente uma vez que temos esses valores em nós, vamos acabar por passá-los. Não te martirizes demasiado a pensar nisso. Boa sorte! :)

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Carpida á vontade que logo eu vejo