Estar de esperanças

Sempre achei uma parvoeira considerar a gravidez como um estado de esperança, coisa mais sem lógica de se dizer, estás de esperanças, até estar NO estado.
A lógica têm lógica, uma pessoa passa o tempo a esperar qualquer coisa, ou é esperar que corra tudo bem, ou que os resultados dos exames sejam os indicados, ou que a cria esteja a mexer na próxima eco, ou que passe a azia e as dores de costa. É ter esperança de que a barriga cresça sem deixar estrias, que se completem os 9 meses sem complicações. Ter esperança de conseguir dormir 8 horas seguidas apesar de saberes que tens que te levantar umas duas vezes para mijar. Ou ter esperança de não ficar 2 horas à espera da consulta, de não morrer de ansiedade entre o agora e os muitos dias até poder pegar na cria ao colo,  contar-lhe os dedos, perceber que respira.
Neste momento estou crente que quem teve a ideia de considerar este estado só pode ter sido uma mulher e grávida. E no fundo a maior esperança de todas é que ela, a esperança, nunca acabe porque em suma, este estado não se deve resumir a 9 meses, mais coisa menos coisa, porque a esperança continua, suponho eu, juntamente com este vínculo que se têm com um ser que socialmente pouco existe mas que do nada se torna num tudo.

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