Cheirávas-me a terra e hoje bate a saudade

O tempo passa como se nada fosse e leva-me o que me tinhas deixado e o que tinha como certo sabes?
Já me levou o teu tom de voz, assim,  como se fosse vento, e tinhas razão, o vento não volta para trás.
Levou-me a textura do teu toque como chuva de verão, forte mas rápida e sem dar conta.
E quantas mais coisas me vai colher o tempo dessa árvore generosa que foste como quem chega de mãos cheias desses figos doces de pingo de mel que nunca precisei de apanhar porque a menina podia arranhar os joelhos.
Hoje bate a saudade que não me deixa dormir, desse teu cheiro a terra,  desse teu andar arrastado.
Hoje bate a tristeza de não poderes estar aqui agora para me veres.
É que por mais que eu saiba onde fica a árvore, por mais que eu saiba escolher o fruto, nada me cobre a vontade de ouvir esse andar arrastado, de receber essa mão cheia de carinho que muitas vezes dei por certa.
Porque o tempo me leva o que ficou mas não me vai levar nunca esse teu cheiro a terra que agora é molhada.

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Carpida á vontade que logo eu vejo