Um dia eu contei-te um segredo #2

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Claro está que depois do pequeno almoço a coisa continha a mesma informação.
E ali fiquei eu com ar de parva, a divagar nas 30 mil e 500 coisas que... na verdade não pensei em nada, a única coisa existente entre a minha capacidade de locomoção e de pensamento activo era a imagem do dito teste que eu com toda a certeza achava que ia dar negativo a navegar em roda pé por sobre a minha cabeça, até que surge a ideia, "mas espera aí, eu não fiz isto sozinha, eu tenho que lhe contar isto, ainda bem que comprei a cena para bebé espero até á meia noite e taram, mato o gajo de ataque cardíaco"

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Claro que não aconteceu.
Claro que estava tão nervosa com a reacção dele que comecei a achar que ainda paria antes do tempo de tanto nervosismo.
Vai na volta é melhor escrever um cartãozinho fofo (um dia eu mostro se se portarem bem), aproveito e filmo para a posteridade e pronto.
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Claro que não tinha bateria no telemóvel.
Claro que não filmei coisa nenhuma.
Claro que ia morrendo eu enquanto ele ficava ali a andar da sala para a varanda a chorar copiosamente sem explicar se era de felicidade, de medo ou de desespero pegado com uma ponta de a-culpa-é-tua.
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Foi mais ou menos isto...

Já prontos para sair lindos e perfumados. Eu entro sala a dentro com um saco de prenda na mão com um postal agarrado por uma molinha.
-Amodes tenho uma prenda para ti, na verdade não é uma prenda para ti é nossa, bem toma, abre lá, era para te dar só á meia noite mas depois estava a ficar nervosa e olha...vá, abre isso que já vais perceber.
(tenho ideia que ele disse alguma coisa mas não sei o que foi)

Ele começa a ler o cartão, que eu escrevi como se fosse conversa minha, Ele já a fazer beicinho, e quando chega á parte do "desculpa a mãe pelo mau feito, a culpa é minha", começa a chorar, olha para mim, chora mais, (diz que eu estava a fazer uma expressão que ele nunca antes tinha visto) continua a ler e a chorar cada vez mais, larga o cartão, vai á varanda, fica a olhar para o infinito, volta á sala:

-Tens a certeza?
-Abre a prenda.

E de lá de dentro sai um babygrow fofinho e minúsculo. Olha, chora outra vez, vai para a janela, olha para mim, olha para o infinito.

- Mas tens a certeza?
-Vê lá o que é que está mais dentro do saco!

O ultimo pacote, o teste enrroladinho e com a sentença final. Olha, vira o teste de cabeça, volta a olhar para mim. Eu em acto de suplica:

-Mas vais dizer alguma coisa? estás a deixar-me nervosa, eu sei que não era agora já (e sei lá eu que outras coisas atirei ao ar, diz ele, com aquele ar que ele nunca tinha visto)...

Enquanto ele se chega junto de mim, me agarra pela cintura, me puxa, me abraça, chora e volta a chorar, e ri, e volta a rir, e diz que está feliz e que têm que contar aos pais.......

E o meu pensamento deriva entre o "damn que vais dar um pai sexy" e o "ohouh" e o "a minha vida acabou" e o "que fofinho que isto vai ser" e sei lá eu mais o quê..."o que interessa é que estamos sintonizados" ... "ele está feliz, bolas está mesmo feliz, olha que lindo que ele fica com este ar feliz que eu nunca antes vi"



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