26/Outubro


Os momentos mais importantes das nossas vidas são aqueles que estão sempre cheios com a nossa presença e em que a nossa ausência nos deixa em ponto de lágrima.
Á 24 anos atrás eu levantei-me no alto dos meus quase 4 anos para uma casa silênciosa não estavam os pais nem o avô mas estava a Maria que me disse que a mãe tinha ido ter o mano, sabia lá eu o que raio isso queria dizer...Não me lembro da primeira vez que o vi mas lembro-me dele bem pequenino a fazer barulho á noite e a cheirar mal do rabo e lembro-me que era lindo e cor de rosa e tinha um nariz tipo o dos desenhos animados dos anões e uma pinta na sobrancelha igual á que eu tenho no queixo...sabia que ele tinha saído da barriga da minha mãe, lembro-me disso, de estar no sofá á lareira e de o sentir bater-me através da barriga dela e era giro...Anos mais tarde deixou de ter graça, principalmente quando eu já podia sair á rua e ele achava que podia vir sempre atrás de mim, zangávamos-nos muitas vezes, andávamos á porrada, partimos comandos e telefones contra a parede, enfim, uma infância saudável portanto...mas no fim do dia, lá no nosso quarto partilhado eu ficava a ver o chato a dormir em posições estranhas e a respirar baixinho, ás vezes ficava a ver os cobertores mexerem só para ter a certeza que estava vivo (ele e a mania de dormir de cabeça tapada) tudo para no dia seguinte me zangar de novo.
Ele fazia-me de tudo, enchia-me a casa de areia logo depois de a ter limpo e mesmo antes de a nossa mãe voltar a casa, deu cabo da minha colecção de loiça de brincar (tudo para anos depois se jogar ao lago e ter de ir levar pontos no pé por se ter cortado com os cacos), uma vez apanhei-o a cortar a roupa das minhas bonecas, comia os chocolates e ponha os papeis debaixo da minha cama (depois eu ficava de castigo claro está) ouve um belo dia que me pôs cocó de cão dentro de uma bota...sofri muito está visto... Agora olhando para trás penso que podia ter sido mais companheira, que devia ter dado o desconto mas lá está ele era chato e eu adolescente...
Dia 26 é um dos melhores dias da minha vida, porque sem ti não era eu, sem te ouvir dizer que me amas mesmo quando te digo que não tive tempo para te comprar uma prenda (eu tentei), sim, nós somos desses irmão que dizem que se amam, porque é verdade, porque sempre será verdade, somos desses que se abraçam forte cada vez que se separam como se o mundo fosse acabar por causa destes 200km que nos separam, somos do género que cantamos os parabéns via telefone e em alta voz (os meus vizinhos devem achar que somos malucos) e sim sou a pata da mana que sempre e a cada ano que o tenho de fazer acabo o dia 26/Outubro a chorar baba e ranho porque apesar de te ter dito que te amo hoje não te pode estrafagar até á morte por causa do raio dos 200km que nos separam...Apesar de tudo também sou do género de mana que diz as verdades por isso cá vai:
- Estás a ficar velho (e não, não conta o facto de ter mais 4 anos que tu)
-Este ano estou muito feliz por o teu curso estar a correr bem e parecer que estás na linha certa (contigo nunca se sabe)
-Vê lá se deixas de fazer birras que já não tens idade para isso e depois a mãe fica triste.
-Não te estragues muito, eu PRECISO que morras depois de mim e para isso acontecer tens de cultivar uma vida, vá, minimamente saudável.
(agora a parte principal)
-Continua a não fazer nada que eu nunca tenha feito, não morras estúpido, aprende a dizer não e a dar a razão aos outros (mesmo que te chateie)
E já chega até ao ano que vêm :)

Amo-te daqui á lua pelo caminho mais longe, a pé e sempre quatro vezes mais.

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Carpida á vontade que logo eu vejo