Casa Sº Rebelo



Este sábado fomos a Alcobaça.
Este sábado conheci duas pessoas maravilhosas.
Este sábado fui feliz, conversei, ouvi, aprendi com a vivência dos outros, comi que me fartei, apreciei a companhia de até á altura estranho como não o fazia á algum tempo.
Este fim de semana conheci um casal de namorados á quase 50 anos, um casal que começou a sua vida quando tinham 10 anos e que com base na verdade e carinho vivem juntos e felizes até hoje com direito a filhos e netos e isso enche o meu coração de esperança.
É bom ver que apesar de poderem ser gente com nariz empinado, de falar cortês e hábitos elegantes e rígidos não o são, muito pelo contrário, são pessoas que não ostentam o que têm, falam e riem alto e sem medo, bebem vinhos bons e baratos, cozinham como mestres, vestem-se com simplicidade, fazem qualquer pessoa sentir-se bem e abraçam e dizem coisas boas como se não houvesse amanhã.
A conversa foi tão boa que as 4 horas que lá passamos voaram com o tempo e nem vontade de vir embora tive, foi tão boa que nem fotos tirei, nem liguei ao telemóvel, nem quis saber do mundo lá fora, ficava ali, só porque sim, porque me fizeram sentir em casa, porque são acolhedores nos seu valores e partilha, porque comem com as mão se for o mais prático, porque fizeram com que a super ementa que nos serviram não passasse de um petisco de tasca barata mas não, tivemos direito a tudo, aos bancos de chita, aos aparelhos antigos, ao queijo de Azeitão, ao sumo de uva fresco de origem demarcada, aos figos em calda, ao paté de lagosta da Nazaré, ás ameijoas á chefe, ao pelo peixe encamado com funcho, á tarte de limão, ás uvas estalantes, á Pera doce e tudo mais que não me lembro, tudo feito á vista dos estranhos que foram convidados a ir lá a casa e com quem se partilhou os truques de cozinha que desde os 35 anos se foi aprendendo.
Sábado fomos a Alcobaça.
Sábado fomos a Alcobaça e quero voltar, sempre, ficar o fim de semana, vir e voltar outra vez.
Partilhar o meu tempo todo com cada momento que esta gente me possa dar, nunca é de mais gastar tempo com pessoas que não têm vergonha de ser o que são, que se comovem com a saudade a ponto de nos fazer chorar, pessoas que não têm problemas em contar os erros de outrora talvez porque saibam que ao o fazer nos estão a passar a ideia de sinceridade e amor. Pessoas que dizem alto, "eu gosto desta gaja", "tu és boa para falar mas fala menos e come mais", "é chegar ao fim de tantos anos juntos e poder dizer nos olhos e sem medo "eu amo-te mulher"".

E portanto como a placa de saída e musica diz...

"Quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar"

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