Era uma vez a velhice




Acabei de ler a notícia acima, talvez um tanto ou quanto extremista mas de boa intenção.
Neste nosso país onde a população está cada vez mais envelhecida não seria má ideia optarmos por visitar, valorizar e aprender com os mais velhos, afinal todos caminhamos para lá, para essa coisa da idade ser um posto cada vez mais partilhado mas que nem por isso é mais valorizado. Tendemos a desprezar e até zoar com a idade dos outros, a não ter em atenção que os que nos criaram talvez agora necessitam que os acompanhemos e os tenhamos sempre presentes nas nossas vidas. Tenho a noção que muitas vezes se tornam pessoas difíceis de lidar e de aceitar até serem cuidados, mas isso não nos devia de impedir de o fazer. É incrível a quantidade de gente que não se preocupa com os pais e avós e que muitas vezes até vergonha deles têm, é triste, é triste de ver e deve de ser triste de o ser, de viver a olhar para o seu próprio umbigo mas não se preocupem que quando aquela pessoa vos falhar vão sentir aquela outra coisa que se chama remorso. Eu cá tenho feito os possíveis para conseguir acompanhar os avós que ainda tenho. Tenho dado o jeito e valorizado o tempo que ainda tenho porque tenho a noção que já foi mais longo, os anos passam e sim já não é o que era, já não posso levar a Maria onde gostava porque a mobilidade não é a mesma e existe aquelas outras coisas que o contar dos anos lhe trouxe, mas posso garantir que é reconfortante sentir que ela sabe que pode contar connosco, que é sempre bem vinda, que lhe dou uns raspanetes mas é de coração como ela um dia e por tantas vezes fez comigo. A minha Maria ajuda a este relacionamento, apesar da idade é uma pessoa fácil de lidar, têm aquele espírito do "bora que para a frente é que é caminho" mas claro que nós estamos cá para a empurrar quando ela fica tipo mula paradinha a ver a chuva cair, tenho a ideia que muitos da idade dela não têm e mesmo no alto dos seus 80 e uns quantos mais anos faz tudo o que pode, e que o por vezes não deve (e é por fazer o que não deve que nos zangamos), ainda posso contar com o jantar e o bolo quente mesmo que agora tenha de começar 1 hora mais cedo que a uns 30 anos atrás. Moral da história, meu amigos, vale a pena não esquecer que eles ainda existem, que ainda estão cá, que devemos aproveitar enquanto podemos porque um dia podemos ser nós a querer atenção, amor, preocupação, afectos...e como o karma é fodido pode ser que não esteja lá ninguém para nós como um dia não estivemos para os outros. Depois não digam que não avisei, sim!!
Fica prometido um post para a minha Maria, mas tenho de ter o tempo que ela merece.

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Carpida á vontade que logo eu vejo