Mais um ano que começou


Agora que já toda a gente falou do regresso ás aulas dos piquenos, só para não se esquecerem que foi a semana passada (ou a outra vá!) cá fica o meu relato desse trágico e triste e enfadonho dia em que os pintos saem do abrigo das nossas asas.
Resume-se ao seguinte.

VIVA A NOSSA SENHORA DOS PAIS À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS
URREI!!!
QUE TODOS OS SANTINHOS GUARDEM EDUCADORES, PROFESSORES E AUXILIARES DOS TERRÍVEIS MONSTROS PÓS FÉRIAS, sério, muito respeito por esta gente que não contente em educar os próprios filhos ainda estudam para cuidar dos filhos dos outros, que fique esclarecido que para mim vocês (para além de não jogarem com o baralho todo) são super corajosos pá!
Eu com uma tem dias que sei lá eu como é que sobrevivo a 4 horas intensas, não faço a mínima como é que vocês fazem isto, merecem sem duvida só pela escolha de profissão 3 degraus gratuitos de acesso aos patamares do paraíso.

Portanto, é uma tristeza sem fim...para as mães neuróticas e os pais com falta de confiança no sistema educativo que escolhem para os seus filhos. 
Mais uma vez lá fomos nós os dois deixar a criatura e mais uma vez a criatura ficou com este ar de chateada e a chorar baba e ranho...só que não, desta vez ela mostrou alguma preocupação sobre a hora de a irmos buscar mas não passou disso:

- Quem vem-me buscar logo?
- Logo é a mamã.
- Está bem.

Assim.
Foi um bocado envergonhada, não parece mas a vergonha está a chegar aquele pequeno cérebro de andorinha mas estou crente que lhe passou rápido.
Como os outros meninos já tinham começado a escola uma semana antes nós preparámos um cesto com os biscoitos típico lá da ilha e ela levou para os colegas. Quando a fui buscar está super contente porque não sobrou nada "nem um mamã, foi muito boa ideia".
Veio o caminho para casa a palrar sobre a colega que estava doente, o menino novo da sala e qualquer coisa sobre os meninos não quererem que ela sentasse o bebé dela na cadeira XPTO da sala nova, sim, este ano houve mudança de sala mas felizmente a educadora é a mesma (é aqui que estes pais rezam novamente a todos os santinhos em agradecimento fervoroso).
De notar que fez questão de levar roupa nova e depois disse que era muito branco e lá foi de meia branca e sapato lilás (Deus ma libre, se envolvesse uma raquete em vez do laço acho que arrumava as malas da maternidade e fugia para parte incerta)

Mais uma vez, todos juntos:

QUE TODOS OS SANTINHOS GUARDEM EDUCADORES, PROFESSORES E AUXILIARES DOS TERRÍVEIS MONSTROS PÓS FÉRIAS

Sobre a incredulidade do sentir

Eram precisamente 10h33 quando ouvi o "... então o que é que lhe fizeste?..." Seguido de uma conversa de corredor em tom de brincadeira. Durou nem cinco minutos e foi o suficiente para perceber que um buraco do tamanho do mundo se abriu no meu coração.
As paredes tem ouvidos, sempre ouvi dizer, parece que é verdade.
E a verdade tende a magoar.
Eram 10h40 e ainda continuava de pé, no mesmo sítio a tentar juntar peças e perceber o que raio havia feito. Nada, foi a conclusão.
Já havia percebido alguns atritos, bocas para o ar e chega para lá mas o meu eu crente e burro foi arranjando desculpas, encobrindo as ranhuras causadas pelos tremores de terra no meu chão firme. Levei 24h e mais algumas a digerir. Juntei mais peças, esforcei-me a lembrar das outras ocasiões e percebi de onde vem o problema.
Percebi também as outras atitudes que me levei a ter para com outros e como, talvez, tenha sido tão bruta para com os meus enquanto camuflava os outros com desculpas. Perdi raízes, boas ou más não importa, perdi.
Ainda incrédula levantei uma questão, rezei para que me fosse negada porque era sempre melhor colocar mais um pilar na casa a ruir do que a deixar cair de vez...eu não posso deixar a casa cair, pensei.
A negação não veio.
O pilar desapareceu.
A casa caiu.
Os outros ficaram lá, junto com o buraco.
As minhas raízes não estão cá para me amparar.

Existe uma causa em mim, uma causa monstra que por vezes eu acredito ser uma péssima causa, uma causa de nome Amor Próprio, tantas vezes por mim rebaixada, esquecida a bem de suportar causas alheias, Deus, como é possível tanta ideia numa mulher só e tanta falta de bom senso para o seu egoísmo!?

O que me custa nem é a forma como me chega a informação, o que me custa não é a informação em si. O que me custa é o repórter deste escândalo interno ser tão próximo, ser uma pessoa de confiança, e como eu levo tempo a confiar, o que me custa é eu me ter esforçado tanto para ser tão transparente e ainda assim as pessoas tendem a ver o vidro embaçado como óculos fundo de garrafa.

Mais 24h passaram e não houve um consolo, não houve uma resposta justa, não houve nada mais que esta desilusão que dói e mói, que é escura de tão repentina e sem aviso.

Os actos podem ser sim para quem os toma, parece-me que devemos todos olhar para os nossos umbigos de vez em quando. As palavras são para quem as diz e devíamos ter bem em conta o que dizemos. Talvez não se façam ruir mais casas se o fizermos. Porém, há estragos que não podem ser remediados. Há trancas a passar e muros a construir porque o buraco, o entulho pode e vai lá ficar para sempre mas o terreno está cercado e a porta trancada.
Decidi não dar resposta, vamos todos fazer de conta que está tudo bem, não haverá consolo, pedidos de desculpa nem tão pouco abraços e esforço. Não me vou explicar, não vou esperar mais nada nem tão pouco ficar calada. Espero retaliação de qualquer das formas independente da atitude que tome, será talhada para mim, erguida num monte de teorias sobre o "eu sou assim" e remates de "a vida ensinou-me". Eu digo QUE SEJA!
Aqui, neste meu buraco no peito, onde ecoa a desilusão e a injustiça passa um vento que grita para a minha consciência "não fizeste nada de mal" e isso terá de chegar.

"Bem aventurados aqueles que nada esperam, pois nunca serão desiludidos"

Levei isto como mote durante meia vida.
Preciso alterar para "bem aventurados aqueles que todo o mal esperam, pois um dia serão bem surpreendidos".

"Memórias de um escravo"

Que é como quem quer dizer:

- Foi-me oferecido no Natal.
- Comecei a ler tem uns 2 meses.
- A história não é má.
- Ganhou uns 30.000 prémios e mais alguma coisa.

Eu cá achei uma leitura pesada, não fui capaz de ler mais que 3 páginas por noite e a última era sempre para ler no dia seguinte porque não ficava nada nesta cabeça.
Quando a personagem começa a viver com os índios e a mandar em si próprio a descrição começa a ser mais fácil de ler e aí sim consegui dar um avanço mas creio que se não tivesse levado para férias ia acabar o dito só no natal deste ano, com sorte.
A determinada altura fez-me confusão a descrição que é feito sobre o que é ser um escravo, custa-me pensar que alguns humanos raptavam, vendiam e mal tratavam outros sem que estes nada tivessem feito e como se não bastasse usurpar as suas terras e princípios.
De qualquer forma, é um tipo de diário (coisa que eu por acaso não sou muito fã) e consta que foi baseado numa história real, levou muito tempo de pesquisa e historicamente está absolutamente bem enquadrado na realidade, ou seja, para quem goste de livros do género é sim uma excelente opção, para os que não são fã, acho que também não é desta que vão ficar.

Diz-me se tiveres coragem

Diz-me, se tiveres coragem, diz-me o tanto me amas, dizes?

Diz-me como se eu não soubesse, como se estivesses a contar esta história a alguém que não me conhece, como se eu nunca fosse saber.
Diz-me como se estivesse a morrer, não tu, eu, como se fosse a última coisa que eu ouviria nesta encarnação.
Diz-me como a tua pele se arrepia quando te falo ao ouvido, diz-me o tamanho do teu medo de que eu saia porta fora.
Diz-me isto num abraço apertado e de olhos fixos nos meus, talvez eu sinta ser verdade e não tenha capacidade de dizer que me mentes.
Diz-me o quanto sabes que preciso de ti e quanto tu não me queres deixar.
Diz-me que este amor nunca estagna, nunca minga, que só faz aumentar.
Diz-me que mais que os anos passem irás contar a nossa história como se ainda não fosses acreditar nela.
Diz-me isto tudo com vaidade de quem sabe que muitos passam a vida a tentar encontrar algo assim, que isso te encha de vaidade porém que te permaneça a realidade de que tudo pode ter um fiz.
Diz-me que nunca irás ousar por tudo a perder.
Diz-me baixinho, por cima do meu ouvido, nesse abraço apertado.
Diz-me alguma coisa que queiras, sei lá eu o que se pode dizer nestes casos, diz-me o que achares preciso para que eu nunca duvide e de bicos de pés firmes me erga de olhos brilhantes, te beije uma e outra vez sem pensar em nada para além do que me estavas a dizer.

E depois?

Depois não me digas mais nada porque eu já antes guardava a chaves voltadas tudo o que nunca me dizes porque não achas preciso teres de me dizer.